Porque os caminhos se alteram

segunda-feira, 22 de junho de 2015

TETRAPHARMAKON



  1. Não devemos temer os Deuses
  2. A morte não deve ser temida
  3. Não é difícil atingir o bem
  4. Não é difícil suportar o mal com coragem

Epicuro de Samos

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Luso-Tupi - [des]fenômeno comunicativo


  Algumas dificuldades na comunicação interpessoal têm me deixado inquieto, e me colocam ironicamente a pensar sobre elas. 
  Eu imagino a América pré-colombiana, e em especial a região que ocupa o atual Brasil como formada por sociedades complexas e conflitantes, como eram os índios daqui. 
  Acho muita inocência pensar no índio bom selvagem dos românticos no estilo de Alencar: Eram homens que se colocavam em guerra, enfrentavam problemas para sua subsistência, e faziam uso de uma linguagem complexa que dê conta dos seus fatos diários e dos excepcionais. Certamente, as diversas línguas indígenas são muito bem elaboradas para tratar de seus problemas,como perigos com animais, migração, cultivo de mandioca, curas pajelísticas ou sei lá que tantas outras coisas são necessárias comunicar através dos tempos em sociedades historicamente desenvolvidas em condições tão particulares. 
O último Tamoio (Amoedo, 1883)
 Outra coisa eram os portugueses, com o seu galego dialogando com a Europa, tratando da sua longa história, com seus Camões, suas explorações, ouro e pedras preciosas. Toda essa história vista na escola (por enquanto...) e que de algum modo faz parte de nosso imaginário (ao contrário da história indígena, que parece ter sido sempre como hoje, trancada numa reserva). 
  Não consigo ajuizar valor entre a história europeia e a indígena. Não posso a essa altura acreditar que simplesmente o clima frio faz o homem ser mais engenhoso, desenvolver filosofia e armas, sapatos e cães. São ambas profundas e complexas, mas imensamente distintas. Ai está a grande questão: como podem duas coisas tão diversas se comunicarem? O leitor poderia dizer que são seres humanos e se desenvolvem por caminhos até parecidos, enfrentam algumas problemas gerais e disso da pra sair alguma coisa. Bem, eu não creio que o fato por exemplo de ambos navegarem, uns com a caravela outros com a piroga, resolve muita coisa. 
  As situações originárias são radicalmente distintas, e suas linguas assim as acompanham. Eu vejo este contato como algo quase incomunicável. 
  O leitor certamente indaga: Mas como estamos nós aqui, filhos de mãe índia, com pai de bigodes, tio preto e tudo mais? Certamente o problema da comunicação teve de ser enfrentado.
  E foi, de algum modo.

  Uma solução seria termos antropólogos num exercício de tradução radical no estilo de Quine, buscando adivinhar elocuções verbais, ou algo do gênero.
  Não acho que o português bronco que navegava meses comendo mofo, pegando escorbuto e atirando homens ao mar fosse muito afeito a este exercício delicado. Tampouco o índio, que estava sossegado comendo a mata virgem. 

Formas de um grafismo
rupestre em Minas Gerais
  Podemos pensar, seguindo outra via, que o homem pré-histórico se comunicava de algum modo, mesmo antes de ter desenvolvido suficientemente uma linguagem. Com sua capacidade de vocalização elaborada, podia emitir sons que assemelhassem a animais, ou que se pudesse associar de alguma forma a certos fatos possíveis, ocasionalmente usando recursos pictográficos, etc. 
  Pois me parece que a solução adotada neste choque cultural irresolúvel foi justamente essa: buscar uma primitivização da linguagem aos termos mais simples, que tratem de coisas acessíveis, mesmo que de forma pouco precisa. 
  Esse esforço retrocendente me parece ter consequências até hoje. Vejo pela tradição oralista do país (pois se mal conseguíamos falar, quem dirá escrever), e pelo modo como as pessoas falam por ai. 
  Nós que ouvimos nossas famílias européias falando mais alto, adotamos uma língua próxima do português para falarmos, mas em certos nichos, em bons momentos descontraídos ou mesmo em situações de confronto (como nosso confronto quinhentista) nós falamos mesmo é uma linguagem primitiva com elocuções guturais que se vistas por um observador à distância são incompreensíveis. 
  Por vezes me pego reconhecendo expressões como “ohcarré”, “psal”, “diii”, e é quando parece fazer sentido um pensamento deste gênero. Da mesma forma que reconheço numas vezes, noutras se torna completamente impossível reconhecer certas expressões tão primitivas, com destaque para os casos em que estas se tornam especializadas em certos dialetos.
 /Fim da transmissão (001) 
[acho que vou codificar as cartas]

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Fotos aleatórias

Depois de começar a trabalhar com Salvador e Granero, os membros mais ativos desse blog, recebi o convite de escrever também pro Fatos Transitórios. Na verdade, eu os conheço desde a época da faculdade (lá pra dois mil e minha vó era virgem), quando estudamos juntos, incluindo o Soreiro, o membro mais passivo menos ativo do grupo.
Esse é o meu segundo blog, eu já tenho outro... ou tinha, faz meses que não posto nada. Mas é diferente, aquele é sobre música, e esse é sobre... sei lá, coisas aleatórias, como a vida, ou meu prato no almoço.
Mas seguinte, ainda não entendi o que devo postar, então decidi começar por essas fotos:
Meu monitor no trabalho.
Procura-se gato. Aparentemente, qualquer um.
Procura-se [2] lombada.
rs
Proibido o tráfego de pedestres gelatinosos.
Todas as fotos são de propriedade do nosso staff e estão protegidas legalmente pelo decreto 4.8.15.16.23.42, de 1973.

sábado, 16 de julho de 2011

O homem do século XXI


Créditos da imagem: i.dont.give.a.fuck


Chego em casa exausto... Outro dia de trabalho, estudo e academia na madrugada... Agora só restam 5 horas para meu sono, e é bom digitar isso tudo muito rápido porque senão esse número irá cair para 4.

Me alimento inadequadamente, comendo todo tipo de alimento – não me incomodo com os adjetivos "artificial" e "modificado", tampouco com as palavras "glúten", "emulsificante" ou "UHT": Quero as coisas que durem na geladeira, que posso preparar rápido, comer sem pensar e não quero limpar nada. Jogo tudo ali no lixo mais próximo, onde as coisas ficam misturadas, afinal, na natureza não se encontra nada separado não é mesmo?

Como não consegui comprar aquelas lixeiras coloridas para reciclagem, tentei levar parte do lixo segregado para o meu trabalho, dentro do porta malas do carro. Logo no primeiro dia, umas 3 pessoas me perguntaram por que eu andava com todo aquele lixo no carro, e no mesmo instante abandonei a idéia. Atualmente só levo as pilhas pois cabem no bolso e ninguém vê quando eu jogo naquela discreta lixeirinha laranja.


Em meu emprego sou mais um dos inertes. Simplesmente trabalho, pois desde pequeno aprendi que “o trabalho dignifica o homem”. Essa semana poupei uma quantia apreciável para o chefe e me disseram que, se eu continuar assim, daqui alguns anos possivelmente serei chefe também. Em um processo seletivo em outra grande empresa... na entrevista final fui indagado: “Onde você quer estar daqui a 5 anos?”, e eu, singelo, falei sobre o meu sonho de fazer um mestrado e lecionar. Perdi a vaga, evidentemente...

Em minha última entrevista respondi a mesma pergunta dizendo: -"Em 5 anos eu gostaria de ser o diretor da empresa". (bom, pelo jeito deu certo).

Às vezes me chamam pra um bate papo sobre política ou religião. Ouço a todos com atenção, mas dificilmente abro mão do meu ponto de vista. Mesmo respeitando as opiniões e a sabedoria de muitos, sei que a maioria deles é tão mal informada quanto eu...

Gosto muito da universidade, mas já estou formado em outra coisa que vai me sustentar durante a vida. Vou largar e trabalhar bastante, quem sabe eu não viro chefe mais rápido (aqueles 5 anos já se foram agora).

Estou quase desistindo da academia de madrugada. Acho que eu mereço mais descanso. Bom, na verdade nunca foi pela saúde. Mas e a estética como fica? Barriga não vai bem com social nem com jeans.

Nunca tive grandes amigos. Vejo pouco meus pais, menos ainda do que via meus avós quando eram vivos. Não me sinto mal por causa disso, tenho problemas demais, não posso ficar me preocupando com essas coisas. Quando dá saudade basta mandar um e-mail.

Quando estou meio deprimido, faço compras. Comprei um CD péssimo esses dias, mas bastou dizer que era exótico e todos aprenderam a gostar. Comprei também um tênis supermoderno, o mais caro da loja, mas a verdade é que eu só uso sapatos. Quando não sobra dinheiro basta relatar o desejo de comprar um segundo notebook ou outro qualquer dispositivo com a tela "glossy" que todos e demonstram compreensão e me incentivam. Assim vou adiante, sorte minha azar o seu.


Esse sou eu, o homem do século XXI. Moderno e arrojado. O destemido, o vencedor. Imune a qualquer síndrome do pânico ou gripe suína. Que venham as pandemias e armas biológicas, meu legado restará intacto.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Correspondência informal.


Além das biografias fictícias de astros do pop, emergiram na pseudo-literatura popular brasileira livros que são coleções de cartas e correspondências entre supostos amigos que alteraram parte dos textos para tentar contextualizar um punhado de generalidades...

Registrarei aqui minhas correspondências sinceras, sem conteúdo, e livres de edição:

"Prezada Andiroba,

Hoje tem sessão umbanda ao lado de casa. Começa às 20:45.
Incorpora-se Caboclo de Folha Verde e Zé Pilintra.
Dizem que está recém-chegado um Caboclo 7 flechas, em vias de um morador do Campestre, que pode lhe ser útil; a
conselho comer uma mexerica que a calma há de vir, ou então verter direto em goela aberta um suco de maracujá, com gelo e sem açúcar, amargo e refrescante como a vida.

Atenciosamente,
Salvador"

A grande herbácea Andiroba.

Isso não é para posteriedade.
Diferentemente de Leibniz, não pretendo codificar as cartas,

Granero, pode atribuir esse lixo a mim.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Autor Desconhecido - Pode atribuir a mim.



Acabo de ler mais um texto atribuído ao Luis Fernando Veríssimo, que visivelmente não é dele. Qualquer leitor um pouco mais atento ao seu estilo de escrita ou simplesmente ao fato de ele trabalhar como cronista/comentarista para jornais da Editora Globo consegue inferir que ele não escreveria um texto sobre o Big Brother Brasil.

do Blog rique-eumesmo.blogspot.com 

Curiosamente, este texto foi postado no Blog da Dilma pelo criador do blog, Daniel "Pearl" Bezerra. Blog de pessoas que realmente gostam da Dilma e querem Lula para prêmio Nobel da Paz (?). Não sei o que o Comitê Nobel Norueguês pensa disso, mas se o Obama ganhou um, seria interessante ter um no Brasil também.

Mas, agora voltando aos textos da internet, o Veríssimo é um fenômeno fantástico. Possivelmente, seu estilo mais casual de escrever e sua obra prolífica, agradável e bem creditada o tenham feito como alvo principal dos pessoalzinho do e-mail. Teve um dos textos que ficou tão famoso que mereceu um texto, agora sim, do próprio Luis Fernando, e até figurar numa coletânea em francês.

A cultura da internet tornou algumas coisas complicadas, discussão muito em voga. De imediato, como contribuição, peço para que quando desejarem atribuir autoria de um texto a outra pessoa, usem meu nome, pra ajudar a divulgar minha imagem. Como dizia minha bisa "falem bem ou falem mal, mas falem de mim". Quem sabe no futuro eu não tenha também um ponta no Big Brother.

____

Sugetões:

Caiu na Rede - coletânea de textos de autoria falsa
Culturas e Artes do Pós-Humano: da Cultura das Mídias à Cibercultura - para levar a questão da mídias muito além.


Logo encontraremos estes livros atribuídos a mim, se tudo der certo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Tabu: Sexo


O documentário mostra a prostituição de Bangladesh, à beira das linhas de trem, onde a incidência de Sífilis é de 40% e o programa custa em torno de 2 à 4 dólares por hora, até uma casa de acompanhantes em Sidney chamada Stiletto, onde as garotas dizem ganhar mais do que o primeiro ministro (em torno de 200.000 dólares por ano), e estão todas lá por opção.

Tina do Stiletto. Os nomes de puta são universais.

A prostituição é legalizada na Austrália, assim como em outros países desenvolvidos, que aprovaram leis e regulamentações em prol da segurança das profissionais do sexo, e para desvincular a prostituição das drogas e da violência (parece irônico).

Outro caso bastante curioso é de um deficiente físico que vive no Reino Unido, que vai até a Holanda, o lugar mais próximo onde há prostituição legalizada. O próprio pai leva o garoto, que entra pra dentro com cadeira de rodas e tudo mais.

O documentário é ótimo, aconselho.

Poderiam vir ao Brasil em uma próxima edição, e tentar equacionar adicionar aos problemas relacionados à prostituição a corrupção policial, aliciamento de menores, e multiplicidade cultural e religiosa.